A Influência de Vorcaro na mídia para controlar tudo que era dito sobre o Banco Master

Daniel Vorcaro montou uma rede de influência sobre veículos de imprensa brasileiros por meio de patrocínios, investimentos e relações com executivos. Mensagens extraídas de seu celular pela PF, reveladas pelo UOL, mostram interferências em reportagens não apenas do Metrópoles, mas também de Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR, DCM e CartaCapital.
No Brazil Journal, o fundador Geraldo Samor consultava Vorcaro antes de publicar notícias sobre o Master. O banqueiro solicitava alterações, realizadas. de imediato. Uma empresa de seu aliado Flávio Carneiro também adquiriu 49,86% da BJ Conteúdo, braço de vídeos e eventos do site. Em uma das mensagens com Geraldo, Vorcaro diz "Porra, cara. Tira isso do ar agora". O pedido é prontamente atendido pelo empresário.
Na IstoÉ, Vorcaro chegou a encomendar uma capa sobre uma farmacêutica na qual investia. “Na IstoÉ é que controlamos mais”, escreveu ao assessor. Também exigiu ser consultado antes de publicações envolvendo políticos como Ciro Nogueira, Arthur Lira e Hugo Motta.
No PlatôBR, Vorcaro recebia reportagens antecipadamente, alterava chamadas e tentava controlar a cobertura política. Em uma conversa, ordenou que o site atacasse Ricardo Cappelli, crítico da negociação entre Master e BRB: “Tem que pegar o Platô e moer esse Cappelli”.
No DCM, mensagens indicam um acordo de pagamentos mensais para impedir críticas ao banqueiro. “Dcm está pago e fechado”, informou seu assessor. O trato também permitiria publicar mensalmente uma reportagem favorável ou contrária a alguém.
Na CartaCapital, o relacionamento era financeiro. O banco de Vorcaro firmou um patrocínio de cinco anos, antecipou R$ 300 mil e recebeu pedidos de recursos para pagar salários. Em 2023, a revista também submeteu ao banqueiro a decisão sobre publicar uma reportagem. Uma possível sociedade foi discutida.
As revelações expõem um problema que vai além do Master: a possibilidade de interesses financeiros influenciarem o que é publicado ou escondido do leitor. O UOL procurou os envolvidos. Samor não respondeu, e a reportagem não teve retornos até a publicação.



